Domingo/ 14/ Agosto, 2022 - 20:57

UM OLHAR DO PARAÍSO: COMO PREVENIR QUE A VIDA IMITE A ARTE?

UM OLHAR DO PARAÍSO: COMO PREVENIR QUE A VIDA IMITE A ARTE?

O modelo antigo de criação dos filhos, bem como o olhar e o entendimento do que seria o papel dos pais no ato de educar crianças e adolescentes foi baseado por muitos anos por uma perspectiva marcada por um pragmatismo que estimulava práticas coercitivas muitas vezes violentas, empregando, dessa maneira, castigos físicos e psicológicos com finalidade apenas punitiva.

Debora Gabriela da Silva Chagas Vice-Presidente do órgão Conselho Tutelar em Monte Carmelo, Delegada Municipal de Direitos de Crianças e Adolescentes, Bacharel em Direito pela FUCAMP e Pós-Graduanda em Direito Administrativo, Direito do Trabalho e Previdenciário pela FAVENI Fotografia:Adriana Mendes

Entretanto, com a evolução dos direitos sociais, a vulnerabilidade de crianças e adolescentes se tornou uma preocupação global, desconstituindo, assim, a arcaica concepção de educação, a qual, na realidade, afastava o cunho educativo e, inclusive, atualmente, é considerada uma forma de maus tratos.

Assim, com a mudança perceptiva, crianças e adolescentes passaram a serem vistos e considerados pessoas em desenvolvimento, com direitos e, de principalmente, necessitados de proteção.

O novo modelo ideológico impôs que o Estado, por meio de suas políticas públicas, criasse um sistema de garantias para efetivar e consolidar a proteção integral de crianças e adolescentes; atualmente prevista, principalmente, na Constituição Federal Brasileira e no Estatuto de Criança e Adolescentes.

Nessa perspectiva, além da família, o Estado e a sociedade passaram, também, a ser corresponsáveis pela criação e, principalmente, pela efetivação dos direitos, bem como qualquer negligência e/ou violação de direitos contra crianças e adolescentes; passando a ser considerada uma forma de violência, devendo estas serem combatidas.

O filme americano “O Olhar do Paraíso” retrata a história de Susie Salmon, uma adolescente de quatorze anos de idade, com sonhos e uma inocência de uma adolescente qualquer. Na trama, a personagem principal foi abusada, violentada e esquartejada quando estava voltando sozinha da escola, por um vizinho da família, George Harvey, o qual era pedófilo e serial-killer. Contudo, devido à falta de percepção dos pais e das autoridades que acompanhavam o caso, ele inicialmente sequer se tornou suspeito, inclusive a sensação de impunidade fez com que ele também se aproximasse da irmã mais nova de Susie, almejando também ceifar sua vida.

Imagem: Divulgação

Um olhar do paraíso (The Lovely Bones)

Direção: Peter Jackson. Produção: Paramount Pictures, EUA,2009.

“Um Olhar do Paraíso” é um exemplo fictício de uma o obra que aborda temáticas como a relevância dos mais tênues cuidados ministrados pela família, comunidade e Estado no que se refere à proteção de crianças e adolescentes.

Sabemos que, em tempos atuais, o avanço dos meios de comunicação, no que se refere à segurança e privacidade, tem rompido barreiras, inclusive dentro de casa, trazendo assim, tanto benefícios, quanto malefícios para todos , fazendo com que essa preocupação também se estenda a crianças e adolescentes.  

Dessa maneira, por mais trabalho e dificuldades que o seio familiar apresente, os pais nunca devem se abster de seu dever legal do cuidado, sempre observando qualquer mudança de comportamento dos filhos, bem como procurar o diálogo com eles, a imposição de regras e vedações sempre que necessário; criando assim, um ambiente seguro e uma relação de mútuo respeito e confiança.

Outra atitude importante cabível aos pais é de sempre estarem presentes na vida e no ambiente escolar de seus pupilos, questionando e acompanhando o desenvolvimento escolar, bem como o social com os demais colegas e a comunidade. 

Outrossim, sempre que necessário, a busca de apoio e orientação, junto aos órgãos de proteção e ajuda de profissionais que possam auxiliá-los na árdua, porém, compensadora missão de serem pais, é algo indispensável.

Além disso, sempre que você, leitor, tiver ciência de alguma violação de diretos de criança e adolescente, você, como toda sociedade, tem o dever de denunciar aos órgãos responsáveis.

A denúncia pode ser anônima e salvará muitas vidas!

“Para o triunfo do mal, basta que os bons não façam nada!” Edmund Burke

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